Enquanto o petista não renuncia, colegiado sofre para tentar notificá-lo sobre processo que pode levar à perda do mandato de deputado federal
Vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas - Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
Ainda com o futuro indefinido, o deputado André Vargas (PT-PR) é alvo de uma espécie de caçada de gato a rato em Brasília. Como o petista está licenciado do mandato e afastado da vice-presidência da Câmara, o Conselho de Ética enfrenta dificuldades para notificá-lo sobre o andamento do processo ao qual foi submetido – trâmite obrigatório da ação. Na semana passada, o colegiado chegou ao limite de recorrer a uma mensagem de celular para comunicá-lo da abertura do processo. Vargas respondeu com um torpedo lacônico: "Ok".
Antes, o Conselho de Ética tentou outro canal de comunicação: enviou ofício diretamente à residência do parlamentar. Mas a correspondência voltou. “A informação que obtivemos é que o endereço havia mudado”, disse o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PSD-SP). “A nossa assessora teve de mandar um torpedo a Vargas lhe informando sobre a notificação.”
Leia também: André Vargas adia renúncia ao mandato parlamentar
Como o parlamentar pediu licença do mandato por sessenta dias, seus funcionários foram exonerados e, consequentemente, seu gabinete particular teve as portas fechadas. Os representantes do colegiado também procuraram por Vargas na vice-presidência da Câmara, mas foram informados que o setor não tinha mais vínculos com o petista.
Um dos deputados mais estrategistas da Casa, Vargas tem tomado decisões a conta-gotas: apenas nesta quarta-feira ele formalizou a renúncia à vice-presidência, anunciada há uma semana com o argumento de que pretendia concentrar esforços em sua defesa no Conselho de Ética. Vargas começou a ser investigado na Câmara porque a Polícia Federal o flagrou em conversas sobre negócios suspeitos com o doleiro Alberto Yousseff, preso sob acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 10 bilhões de reais.
Nova notificação – A procura ao petista deve recomeçar. Na próxima semana, com a votação – e a possível aprovação – do parecer que determinará se o processo contra Vargas terá prosseguimento, a caça ao deputado deve ser retomada. Obrigatoriamente, Vargas tem de assinar um ofício que cita os prazos para a apresentação de sua defesa. O colegiado tem até três tentativas para encontrá-lo, para somente depois, com ou sem sucesso, poder publicar o caso no Diário Oficial da União.
Procurada para comentar a situação, a assessoria de imprensa do deputado – a mesma que divulgou a carta em que Vargas diz “reestudar” a renúncia ao mandato parlamentar –, afirmou que não responde mais pelo petista. “A gente também não sabe onde ele está”, alegou um assessor.
Veja.abral
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu Comentário será exibido em Breve