As suspeitas da Polícia Civil aparentemente estavam corretas. Parte dos dez torcedores da Tradição, Motivação e Vibração – TMV (antiga Máfia Vermelha), presos durante a Operação “Clássico Rei”, deflagrada em 13 de fevereiro, pretendiam mesmo cometer novos atentados contra torcedores do ABC naquele mesmo dia. Conversas de Whatsapp conseguidas pela equipe da 10ª Delegacia de Polícia confirmaram.
Na semana passada, em entrevista à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o chefe de investigações da DP, Eduardo Coutinho, afirmou que suspeitava que os torcedores estavam com duas pistolas – uma 380 e outra 9 milímetros, de uso exclusivo das forças armadas – e um revólver calibre 38, além de muita munição, para cometer ataques contra alvinegros. No dia em que a operação foi deflagrada e os suspeitos detidos, haveria um jogo entre ABC e Potiguar de Mossoró, pelo Campeonato Estadual, no Estádio Arena das Dunas.
Já hoje, Coutinho relatou que mensagens gravadas nos celulares de alguns dos suspeitos, num grupo de conversas da TMV no Whatsapp – uma mídia social – mostraram “conteúdos reveladores” entre os membros. “As conversas provam que eles queriam se vingar naquela noite dos últimos ataques sofridos por torcedores do América”, disse o agente.
Os “últimos ataques” a que se refere Coutinho são os atentados sofridos por alvirrubros desde a inauguração do Estádio Arena das Dunas. No último deles, três torcedores foram alvos de disparos de arma de fogo, no entorno do estádio. O fato aconteceu no dia 8 deste mês, cinco dias antes do grupo, tratado pela delegada Alzira Veiga, que comanda as investigações, como uma quadrilha, serem presos.
Quatro dos dez torcedores foram detidos mediante pedido de prisão temporária por suspeitas de terem assassinado o torcedor Flávio Augusto da Costa Leandro. Segundo o chefe de investigação da 10ª DP, dois deles devem ser soltos após o fim dos 30 dias previstos. Isso porque eles não teriam relação com o crime registrado no bairro de Neópolis, zona Sul de Natal.
“Acho que poderão responder em liberdade”, disse o agente, que completa: “Mas eles são suspeitos de uma série de homicídios em Mãe Luiza, e um até já confessou um desses crimes, em interrogatório feito por nós. A 4ª DP já está investigando e vai definir o que fazer quando acabar a prisão deles aqui”, explicou. A reportagem tentou o contato com o delegado titular da delegacia de Mãe Luiza, mas foi informado por uma gente que ele estava em oitiva e não poderia atender à solicitação de entrevista.
Quanto aos outros suspeitos, o chefe de investigação da 10ª DP pretende interroga-los até a próxima semana. Até agora, só quem foi ouvidos foram alguns familiares. Já as armas apreendidas na operação já foram encaminhadas para a perícia técnica do Instituto Técnico-científico de Polícia do Rio Grande do Norte (Itep/RN), e a previsão é que o resultado saia em aproximadamente 30 dias.
Por TRIBUNA DO NORTE
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