Na composição do ranking de líderes mundiais deste ano, os jovens apontaram um único nome que não é político, nem tampouco empresário: o Papa Francisco, que foi o oitavo nome da lista de preferências. Outra grande estreia foi a do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que ocupou a sexta posição do ranking. Ambos foram escolhidos por suas características pessoais, como humildade, disciplina e determinação, pelas causas pelas quais lutam e pela paixão pelo que fazem. Completam a lista de preferência Roberto Justus (4ª posição), a presidente Dilma Rousseff (5ª), Bill Gates (7ª), Mark Zuckerberg, do Facebook (9ª) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (10ª).
Os motivos de escolha desses líderes mundiais também refletem os valores e crenças desses jovens. Empreendedorismo e inovação são apontados por 26% dos respondentes. Determinação, disciplina e humildade estão em segundo lugar. O terceiro ponto é a visão sistêmica e a clareza sobre aonde se quer chegar com 14% das respostas. Os jovens valorizam ainda a capacidade de defender uma causa (13%) e de superar barreiras e vencer preconceitos (10%).
Ranking dos líderes brasileiros
No ranking de líderes brasileiros, além do presidente do STF, Joaquim Barbosa, estrearam outros três importantes nomes do nosso cenário político-econômico: o empresário Jorge Paulo Lemann, maior acionista da Ambev e sócio da gestora 3G Capital, que comprou o Burger King em 2010 e a Heinz; a presidente da Petrobras, Graça Foster; e Flávio Augusto da Silva, que montou a bem-sucedida rede de escolas de inglês Wise Up, e que no inicio deste ano, tornou-se acionista do Grupo Abril Educação, que adquiriu a empresa e sua rede de franquias.
De acordo com o levantamento, Joaquim Barbosa foi apontado pelos jovens em razão de sua exposição na mídia devido à importância de seu papel no julgamento dos envolvidos no Caso do Mensalão. Jorge Paulo Lemann e Flavio Augusto Silva foram citados por seu empreendedorismo e capacidade de inovar. Em contrapartida, Graça Foster, presidente da Petrobras, percorreu uma longa carreira na estatal. Nela, os jovens destacam características pessoais como determinação e disciplina, apontados por 25% dos jovens que a escolheram.Eis o ranking dos líderes brasileiros do primeiro ao décimo lugar: Eike Batista, Roberto Justus, Dilma Rousseff, Joaquim Barbosa, Lula, Silvio Santos, Jorge Paulo Lemann, Bernardinho, Graça Foster e Flávio Augusto da Silva.
Desde 2009, ano em que a seção ”Liderança” foi incluída na pesquisa, o perfil dos escolhidos vem mudando aos poucos. Pelos rankings passaram gestores, ex-gestores, pais, mães, ícones do esporte e além de empresários e políticos. De acordo com os autores da pesquisa, saber quem são os líderes dos jovens de hoje e porque eles são sua referência de liderança é um bom caminho para entender o que eles esperam de seus gestores na vida real. Em 2013, os 52 mil jovens brasileiros que participaram da pesquisa, com idade entre 17 e 26 anos, citaram 1.880 líderes diferentes.
— Isso significa uma fragmentação de modelos a serem seguidos. Os jovens perceberam também que os pais não estão necessariamente preparados para orientá-los na carreira e esse papel foi delegado aos gestores. Porém, nem todos eles estão preparados para gerir pessoas e muitas vezes os jovens ficam desapontados — pondera Danilca Galdini, sócia da Nextview People.
Um ponto que chamou a atenção na pesquisa este ano é que quantidade de participantes que admiram um líder vem aos poucos diminuindo. Em 2013, 46% dos jovens disseram ter um líder, 6% a menos que no ano passado. Já a exigência do jovem em relação ao gestor é cada vez mais alta: este precisa conhecer profundamente cada colaborador, ajudar seus liderados na execução das tarefas do dia a dia e na orientação da sua carreira. Ou seja: um bom líder é aquele que tem capacidade de gerir pessoas e deixá-las fazer as coisas com liberdade, confiança e espaço para inovar e cocriar. Além disso, é fundamental que tenha também boa comunicação, seja transparente e dê feedbacks constantes, para que o jovem saiba se está no caminho certo.
De acordo com Maíra Habimorad, sócia da Cia de Talentos, o jovem respeita um líder que explica o porquê de cada atividade, pois seu trabalho precisa ter um significado, um propósito. É isso que o motiva a fazer parte da equipe daquele líder.
—Além de conhecimento técnico, de saber gerir os negócios, o líder tem que conhecer bem seus colaboradores, dar autonomia sem deixar de estar próximo, e tudo isso com paixão pelo que faz. Ainda que os jovens reconheçam que exista uma idealização, esperam exatamente essas características desse líder — conclui Maíra.
O Globo
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